sexta-feira, 22 de abril de 2011

Critica:A Garota da Capa Vermelha (Little Red Riding Hood)




Cultura popular e universalidade: dialogando com A garota da 
Capa Vermelha
A Garota da Capa Vermelha nos traz uma nova e boa notícia: os fãs 
do gênero podem ficar despreocupados. O filme não é ruim como
 nós imaginávamos. O roteiro, apesar de seguir a linha da saga Crepúsculo, consegue ser melhor que a trama dos vampiros Bella e
 Edward. Tal afirmação não é posicionamento de crítico
 mal humorado ou dos que tem ojeriza por best-sellers
. Qualquer ser humano pensante sabe que a frouxa e
 irritante trama que envolve os vampirinhos da vez, 
periga entre o mediano e o muito ruim. Podemos
 defini-lo como uma intrigante piada de mau gosto.
A Garota da Capa Vermelha consegue fazer algo 
mais. E é nesse aspecto que vamos nos ater daqui adiante.
Há muitos anos, o vilarejo de Daggerhorn mantinha-se 
em paz. Com a morte da irmã mais velha de Valerie
 (Amanda Seyfried), o local é tomado por pânico.
 A coisa fica pior depois que o famoso caçador 
de lobisomens, o Padre Solomon (Oldman), 
chega ao local, alertando a todos que a fera ganha
 forma humana de dia, podendo ser qualquer um deles
. O “drama” começa daí e nada é o que parece ser nesta 
narrativa que recicla a boa e velha história de Chapeuzinho vermelho, universalmente conhecida e contada através da cultura popular.
Sua irmã, que havia saído para se encontrar com o
 joven Henry, é atacada pelo lobo. De casamento
 marcado com o amor da vida da sua irmã, Valerie
 precisa lutar para conseguir se manter com Peter, 
o seu verdadeiro amor. Falar mais estragaria as 
surpresas que a narrativa nos apresenta.
Seguindo a linha “garotas que amam demais e 
sacrificam a sua vida em nome do homem alheio”,
 A Garota da Capa Vermelha fará as feministas
 fervorosas se remexerem em seus devidos túmulos, 
tamanha a falta de credibilidade da mulher diante desta
 trama, que dá um passo significativo para trás no que
 tange ao papel da mulher nas mídias contemporâneas.
 Porém, cabe salientar que é preciso estar atento ao
 fato de que a história se passa há séculos atrás, e a
 produção buscou ambientar o enredo dentro dos 
parâmetros do período narrado. Qualquer acusação 
de retrocesso e afins é papo de espectador desatento.
Interessante é perceber que crescemos escutando versões
 suavizadas da fábula de Chapeuzinho vermelho, que servia
 de alerta às jovens ingênuas para os perigos que a vida
 oferecia. O filme retoma esta icônica história de medo,
 que tem elementos universais como a capa, a floresta
 e o temor de lidar com o inesperado: um lobo que 
consegue falar com a protagonista. Entre tantas
 interpretações, duas delas cabem ser ressaltadas
 neste texto, que é o fato da fábula representar o medo
 diante do desconhecido e a dúvida diante do fato de
 que o mal representado pela figura do lobo pode ser 
alguém muito próximo a você. Neste caso, o que fazer? 
Esse é o diferencial do filme, que aborda de maneira 
inovadora a fábula universal da menina que sai pela
 floresta para levar doces para a sua vovó. Na trama, 
por sinal, a vovó é apenas chamada por este vocativo, 
não tendo o seu nome representado na personagem.
A direção de arte é bastante competente e a trama está 
muito acima do esperado. A Garota da Capa Vermelha
 traz Leonardo Di Caprio como um dos produtores executivos
, numa trama guiada por Catherine Hardwicke, responsável
 por assinar a direção de Crepúsculo e Aos Treze, e
 que desta vez, comanda a brincadeira que traz os canônicos 
Gary Oldman (como o padre Solomon), Virgina Madsen
 (como a mãe da personagem que intitula o filme), Max Irons
 (do recente O Retrato de Dorian Gray) entre outros. 
Nota:

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